Divina Notícia

Notícias de Rafael Caetano Gomes

Manso Preto critica nova Lei do Estatuto do Jornalista

“Não estou a ver como é possível fazer investigação em Portugal com uma lei destas. É completamente impossível”. Foi desta forma que o jornalista Manso Preto criticou a nova Lei do Estatuto do Jornalista, na I Conferência sobre Jornalismo de Investigação e Novos Media.

Em 2004, no seguimento do caso dos irmãos Pinto, Manso Preto foi o primeiro jornalista em Portugal a ser condenado por se ter recusado a violar o sigilo profissional e não ter revelado as suas fontes.

Manso Preto dedicou grande parte da sua intervenção na conferência da passada sexta-feira ao papel e à importância das fontes no trabalho jornalístico. “Não pode haver investigação sem garantia das fontes de informação e as fontes de informação só o são enquanto nós [os jornalistas] as protegermos”, referiu o jornalista. “Se denunciamos essas fontes, as fontes secam e acaba-se o nosso trabalho”.

Recordando a sua condenação em 2004, o jornalista freelance referiu ainda que a parte positiva da sua acusação foi o facto de se ter demonstrado a importância do sigilo profissional e de a classe jornalística se ter unido na defesa dos seus direitos. “O sigilo profissional é uma questão de honra pela qual vale a pena ser preso”.

Num discurso marcado pela desmotivação em relação ao jornalismo, Manso Preto terminou referindo que “a liberdade é podermos escrever aquilo que alguns têm medo que se saiba”.

Novembro 10, 2008 Publicado por | N Magazine | Deixe um Comentário

Paulo Moura critica falta de aposta no jornalismo de investigação

O jornalista Paulo Moura criticou, na passada semana, a falta de aposta dos órgãos de comunicação no jornalismo de investigação. Na I Conferência sobre Jornalismo de Investigação e Novos Media, Paulo Moura fez ainda referência ao facto de os jornalistas se acomodarem a esta realidade.

“A Internet e os jornais online funcionam com a escrita, com a imagem e com o som ao mesmo tempo”, disse Paulo Moura. “Têm uma nova linguagem e isso permite-nos, hoje, chegar a mais pessoas, a um tipo diferente de pessoas e transmitir realidades diferentes a pessoas diferentes”.

Paulo Moura defende que o papel das novas tecnologias e, em particular, da Internet deve ser bem pensado eque, por mais importância que ganhem, não devem nunca substituir o jornalista. “A Internet é um complemento, mas não nos podemos esquecer que o mundo cá fora existe e é o principal. Nenhum jornalista pode viver no Second Life”, refere Paulo Moura. “A Internet dá a ilusão de que, para o jornalista, é tudo facilitado e, por outro lado, há a ideia de que já não precisamos dele”.

O antigo editor da revista Pública e jornalista do Público salientou ainda o papel que as escolas devem ter na formação dos futuros jornalistas. “Há toda uma série de técnicas que exigem algum conhecimento informático que permita a investigação. Ensinar estas técnicas é o mais simples. O que dá mais trabalho é ensinar o jornalista a ser jornalista, porque isso está para além de qualquer técnica e implica uma dedicação e vocação.”

Paulo Moura deixou ainda um conselho aos muitos jovens estudantes de jornalismo que se encontravam na conferência. “Os estudantes caem no erro de pensar que tudo tem que lhes ser ensinado. Não se pode ter uma atitude passiva de esperar que a universidade nos vá ensinar tudo. É preciso procurar porque essa é a atitude que o jornalista profissional vai ter que ter sempre”.

Novembro 10, 2008 Publicado por | N Magazine | Deixe um Comentário

   

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